Artigo · a partir dos ensinamentos de Gilberto Franzoni
As Sete Leis Herméticas
O amor tudo cria, a lei tudo organiza, e o espaço tudo é.Gilberto Franzoni
22 min de leitura
A palavra lei chega até nós com cheiro de tribunal. Lei é o que proíbe, o que multa, o que se tenta driblar. E a palavra hermético chegou pior ainda: virou sinônimo de fechado, de coisa que ninguém entende. Juntas, as duas parecem anunciar um assunto árido, reservado a iniciados, sem nenhuma relação com a segunda-feira de ninguém.
O que se estuda aqui é o contrário disso. As sete leis herméticas são a descrição mais curta que existe de como este universo funciona, do átomo à galáxia, e de como funciona a vida de cada um de nós, do pensamento que atravessa a cabeça agora à briga que se repete há trinta anos na mesma família. Não são regras impostas por alguém. São a forma como as coisas são. E é justamente por isso que quem as conhece deixa de tropeçar nelas.
I
Comecemos pela pergunta que justifica o estudo inteiro: para que serve conhecer uma lei?
A resposta de Gilberto Franzoni é de uma simplicidade que desarma. “Por que a gente estuda as leis herméticas? Porque se a gente está numa situação ruim, em algum momento a gente encontraria alguma lei. Se a gente tivesse de bem com a lei, a gente não tinha problema nenhum, porque o universo é todo organizado por leis.”
Isso reposiciona o assunto. A dificuldade que se vive, a doença que não passa, o relacionamento que trava sempre no mesmo ponto: em algum lugar ali há uma lei que está sendo contrariada. Não por maldade, quase sempre por ignorância. E a lei não pune. A lei simplesmente se cumpre. Ele usa o trânsito como exemplo, e o exemplo é bom porque ninguém discute com ele: o sinal está vermelho, a pessoa decide não obedecer e atravessa. Pode ser que não venha ninguém. Pode ser que venha, e então bate. “A lei vai ser cumprida de qualquer forma.”
De onde vêm essas leis? Ele responde com uma fórmula que atravessa os livros e as sessões, e que serve de epígrafe a este texto. Existem três coisas eternas: o amor, a lei e o espaço. “O amor tudo cria, a lei tudo organiza, e o espaço tudo é.” Se fôssemos falar da Santíssima Trindade num aspecto científico, diz ele, poderíamos falar assim. As leis, portanto, não são de um planeta nem de uma época. Elas são cósmicas, diz ele: vão valer para este planeta, para o outro, para o outro, para o universo todo. Hermes não as inventou. Hermes fez o papel de trazê-las ao mundo e explicá-las.
Quem foi Hermes? Para ele, Hermes Trismegisto é o mesmo Tot egípcio, o iniciador daquela civilização. Deixou discursos, e alguém foi anotando; ao longo da história isso foi compilado no que hoje se conhece como o Caibalion e o Corpus Hermético. Deixou também a Tábua de Esmeralda, que ele chama de “uma espécie de roteiro para a iniciação”. No livro Uma Mensagem Cósmica, as sete leis abrem o capítulo sobre o poder, e é de lá que sai a lista que segue.
Há ainda um detalhe que explica por que essas leis são lidas em voz alta numa sessão instrutiva, e não apenas estudadas em casa. Quando a gente faz a leitura das leis herméticas, diz ele, “a gente entra na frequência do mestre”. Lê-se o livro do mestre, conhece-se o que o mestre deixou, e o mestre passa a instruir. Onde? Dentro. “Mestre não é uma pessoa, mas ele pode trazer um representante pro mundo.” O que se busca, ao repetir cada frase de olhos fechados, não é decorá-la. É deixar que ela encontre, dentro de nós, o lugar onde já é verdade.
II
A primeira lei é a do mentalismo, e é a mais fácil de ler e a mais difícil de aceitar.
O todo é mente.
O universo é mental.
De quem o mestre está falando? A resposta dele é direta: “Tá falando de vocês mesmos.” Você, que está aí dentro da sua experiência, “é um universo mental, é tudo dentro de você”.
Mas é preciso desfazer uma confusão antes de ir adiante, porque ela derruba o resto. Mente não é cérebro. No livro ele escreve que o cérebro “é um gravador ou receptor”, capaz de gravar, processar e transmitir, mas que não é a mente. Na sessão, a instrução para interiorizar a lei é a mesma: “Procurem pensar no cérebro como um receptor, um gerador e um transformador do pensamento. Mas ele não é necessariamente a mente.” A mente é uma dimensão inteira, tão real quanto a física, feita de outra matéria. E a mente que a gente acessa, quando acessa de verdade, “é a mente de Deus”. Ele traduz: “a mente é uma dimensão do corpo de Deus”. E então vem a frase que dá o tamanho da coisa: “cada cérebro humano capta fagulhas desta mente cósmica divina e isto se traduz em pensamentos”.
Daí a imagem que ele oferece, e que vale levar para a meditação: sinta-se como um neurônio de Deus. “Então nós precisamos nos capacitar para ser um neurônio de Deus.” Toda essa realidade que nos cerca, “essa infinita realidade do universo, é uma meditação de Deus”.
Tem uma consequência prática nisso, e ela é libertadora. Se o todo é mente, e nós nos sentimos presos, quem construiu a prisão? Ele responde na primeira sessão sobre o tema: “a mente pode ser uma prisão sem muros, sem grades e inclusive sem carcereiros”. Isso significa que podemos nos prender, mas também podemos nos libertar. E aí está, diz ele, um significado interessante para a palavra autorrealização: a liberdade de si próprio.
Mas para isso a mente precisa de dono. Ela é veículo, como um carro parado na garagem: só sai dali se alguém der a partida. “A mente pode servir a consciência ou pode servir o ego.” Não dá para servir a dois senhores. A mente solta faz o que quer, e o corpo vai junto, se arrebentando pelo caminho; a mente concentrada num decreto, num mantra, na respiração, está recebendo um comando, e é isso que a tira da frequência do ego. Em outra sessão ele resume com uma imagem de lago: a mente em meditação é um lago sereno, em que uma pedra atirada produz ondulações nítidas, e a informação que vem de cima chega com total clareza. A mente comum é uma piscina cheia de crianças batendo água. E o mais inquietante é o que ele diz sobre esses pensamentos: muitos deles nem são nossos. Chegam de fora, em primeira pessoa, “eu isso, eu aquilo”, e é justamente por isso que se aprende a perguntar: quem está falando aqui na minha cabeça?
III
A segunda lei é a da correspondência, e ela é a chave de leitura de todas as outras.
O que está em cima é como o que está embaixo.
O que está dentro é como o que está fora.
Ele começa pelo modo como as pessoas falam de Deus: “aquele cara lá de cima”. Mas o que a lei está dizendo é que o que está em cima é como o que está embaixo. Então essa divindade que todo mundo procura para o lado de fora, a lei propõe que se busque dentro. Se olhamos para fora, para o nosso semelhante, vemos o que está dentro. Se olhamos para dentro, vemos o que está fora. E disso decorre uma coisa que muda o jeito de viver: “uma mudança real só é possível quando a gente muda dentro”, porque daí isso se reflete.
O outro, então, não é adversário. É espelho. “Aquilo que você vê no outro é o seu espelho.” Este mundo, ele diz, é chamado de salão dos espelhos, e atribui o ensinamento ao povo Maia. Ele conta o que acontece quando se leva isso a sério: um vizinho que brigava, o senso comum mandando revidar, e ele fazendo o contrário, buscando dentro de si o que aquele homem estava vindo cobrar de outra existência. Resgatou, mudou dentro, e o vizinho nunca mais o incomodou. Ele garante que isso é real: “eu mudei dentro de mim”, e a pessoa esqueceu que ele existia. Parece mágica, ele diz, e não é.
No livro, a lei ganha alcance cósmico. As dimensões de manifestação do ser, escreve ele, “podem ser diferentes em sua forma porém são equivalentes em sua essência”. E usa a correspondência para traçar o paralelo entre o corpo humano e o corpo do cosmos: “as células do corpo humano representariam as galáxias do corpo cósmico”. O átomo e o sistema solar, o elétron e o planeta, a célula e a galáxia. Para entender o grande, entende-se o pequeno. É por isso que a instrução antiga é conhece-te a ti mesmo: “tudo aquilo que nós queremos investigar no universo está dentro de nós”.
E a lei tem uma face que raramente se lembra. Se o que está em cima é como o que está embaixo, então o que você é lá em cima também é o que você é aqui. “Veja agora a sua dimensão superior, o ser que você é. No seu esplendor, na sua capacidade.” Nós também somos isso. Esse poder está dentro de você. “A sua herança divina.”
IV
A terceira lei é a da vibração, e ela é a definição de vida.
Nada está parado.
Tudo se move.
Tudo vibra.
A chave que ele dá é uma frase de cinco palavras: “Aonde tem vibração, tem vida.” A vida é o movimento. Cada átomo do corpo vibra, cada célula, o planeta, as estrelas. “No fundo, no fundo tudo é a vibração.” Ele vai buscar apoio na física: se olhamos a matéria para dentro, passamos do átomo, passamos das partículas, e no fim encontramos só vibração. “A nossa constituição primeira é vibração.” Quem diz que somos seres de luz não está errado; é isso, tecnicamente.
Ele leva a lei até onde ela deixa de valer, e é aí que ela fica mais clara. Conta que, numa experiência interna, precisou passar de uma galáxia a outra, e que não se atravessa aquele espaço como quem vai de uma cidade à outra: não há caminho, há portal, “porque não existe vibração entre as galáxias”. Onde não há vibração, não há vida. As galáxias, então, são “uma espécie de úteros cósmicos”, ilhas onde a vida pode existir. Dentro delas, tudo vibra. Entre elas, nada.
Trazido para dentro, isso vira exercício. “Cada um de nós tem uma vibração única”, diz ele, como uma impressão digital, e é possível encontrá-la. Mais: cada um tem uma cor principal, entre várias. E há uma instrução que costuma passar despercebida: “Observe a sua vibração. Procure bem que você pode aumentar ou diminuir.” Não somos vítimas da própria frequência. Ela sobe e desce com o que pensamos, com o que sentimos, com o que fazemos com a energia. Sinta-se capaz de fazer isso, ele diz, e a frase é uma ordem gentil.
V
A quarta lei é a da polaridade, e é a mais longa de todas.
Tudo é duplo.
Tudo tem dois polos.
Tudo tem seu oposto.
O igual e o desigual são a mesma coisa.
Os extremos se tocam.
Todas as verdades são meias verdades.
Todos os paradoxos podem ser reconciliados.
Ele começa pelo corpo, porque o corpo não deixa mentir: dois olhos, dois ouvidos, lado esquerdo, lado direito. O universo espelhado em cada ser humano. Depois vai para dentro: se tudo é duplo, existe uma outra parte sua, um outro eu. Quem é o real? E então para a dualidade maior, luz e trevas, com o símbolo do yin e yang: dentro do branco há o preto, dentro do preto há o branco. “Se tudo é duplo pro lado de fora, é duplo pro lado de dentro também.”
No livro, a polaridade é descrita como a dimensão em que a criança-essência, saindo do absoluto, cria para si um segundo corpo, submetido a duas possibilidades: ação e reação. E ele observa algo que a física confirma: “ao criar a dualidade positivo negativo surge naturalmente a conciliação ou em outras palavras a neutralidade”. Positivo, negativo e neutro; ação, reação e conciliação. Toda dualidade traz em si um terceiro ponto, e o polo positivo “não é melhor nem pior do que o negativo”. A eletricidade que corre pelo corpo, e sem a qual ninguém fala nem pensa, só existe porque há os dois. Em nós, esses dois polos estão na base da coluna e na glândula pineal, e a corrente entre eles é o que a tradição chamou de Espírito Santo.
Mas o ensinamento mais forte sobre esta lei é sobre as trevas, e ele o dá depois de uma sessão em que teve, segundo conta, permissão para ver e eliminar o próprio oposto. “A gente vem para a dualidade para descobrir o que é a unidade.” “Quem está na dualidade não consegue enxergar a unidade nem a dualidade.” E o motivo pelo qual descemos: “aquele que permanece na luz o tempo todo não sabe que existe o contrário”, não aprende, não avança. A luz que se busca precisa ser extraída de algum lugar, e é das trevas que se extrai. Por isso uma sessão desce antes de subir. As trevas, no sentido mais exato, são a nossa ficha corrida, os nossos processos de ação e reação, e são eles que trazem o aprendizado.
Todas as verdades são meias verdades. Ele lembra dos dogmáticos, da religião, da filosofia, da ciência, cada um defendendo a sua. Quem olha só para fora tem metade da verdade; precisa olhar para dentro, e aí a lei anterior volta. E dá a regra prática: “Quando você estiver em uma discussão e lembrar dessa lei a discussão acaba.” O livro aplica a mesma lei ao maior dos pares: para escrever sobre a morte, ele diz, é preciso escrever sobre a vida. Na sessão, a frase é seca: “Vida e morte são as duas faces da mesma moeda.”
E qual é o fim dessa lei? Ela tem prazo. “Tudo é duplo, até que você seja um.” O mestre dá o objetivo; quando você o alcança, volta para a unidade. Todos somos um paradoxo. A instrução, no meio da sessão, é buscar as próprias meias verdades e se reconciliar consigo mesmo. E a pergunta que fecha o exercício desta lei responde, sem querer, a da primeira: quem é o agente observador que está aí dentro? Você é seu corpo? Seus sentimentos? “Nós somos a nossa mente.”
VI
A quinta lei é a do ritmo, e é a que explica a nossa vida diária.
Tudo tem fluxo e refluxo.
Tudo tem suas marés.
Tudo sobe e desce.
O ritmo é a compensação.
Nós somos seres emocionais. Temos altos e baixos, alegria e tristeza, ansiedade e depressão. “Esse é o nosso normal.” Isso é a lei do ritmo em atuação dentro de nós, e ele acrescenta uma coisa que poucos aceitam: “Nós nos construímos assim para viver essa montanha russa.” E por isso, “toda vez que nós buscamos algo externo, como um remédio, por exemplo, a gente tá abandonando o nosso próprio propósito”.
Mas a frase que importa é a última: o ritmo é a compensação. Ele ensina que essa lei pode ser entendida como aquilo que outras culturas chamam de karma e dharma, e observa que o conhecimento hermético tem mais de cinco mil anos, é anterior a elas. Quando alguém diz “que karma”, numa dificuldade financeira ou de saúde, está nomeando uma compensação: em algum momento agimos de forma inadequada com alguma energia ou alguma pessoa, e o universo compensa. Tudo sobe e desce: em algum momento subimos, tivemos experiências espirituais elevadas; em algum momento descemos, tivemos experiências na densidade da matéria.
O exemplo que ele dá é duro. O que são os laços de sangue? Como se tira o sangue de alguém? “Pessoas que nós prejudicamos ou matamos são nossos parentes hoje.” A compensação é essa: quem foi inimigo nasce na mesma casa, para que um tenha de amar o outro. Ele chega a dizer que o universo parece ter senso de humor. E é por aí que a lei se resolve: toda vez que amamos intensamente um filho, uma mãe, um pai, sem condições, superamos a recorrência e passamos para a parte superior da mesma lei, que é a recapitulação. No livro ele é explícito: “as recorrências fazem parte da manifestação da lei do Ritmo”. A recorrência é a roda girando sozinha, e “o ego adora repetição”. A recapitulação é a mesma roda, girada com consciência. A carta dez do tarô, ele lembra, é a Roda da Fortuna e é também a roda do samsara. A mesma carta. Depende do sentido em que se gira.
Então esta lei fala de uma decisão. Na sessão mais recente sobre o tema, ele diz de uma vez: “Nós não somos vítimas. Nós escolhemos a lei do ritmo. Nós escolhemos a compensação.” E a instrução de interiorização é olhar para a balança interna, ver o que se está compensando, e então invocar a misericórdia, porque o que se compensa com dor muitas vezes não é necessário. “A misericórdia pode abreviar isso.” Como? Porque uma lei superior lava uma inferior. O ego diz que aquilo vai custar dez anos de sofrimento; vem o jejum, vem a chama violeta, vem a lei do perdão, e o prazo encurta. “Misericórdia também é lei.”
Há uma face dessa lei que ele chama de pêndulo, e que aparece em quem sai de um jejum querendo comer tudo o que não comeu. O pêndulo vai balançar de qualquer jeito. Quanto mais centrada a pessoa, mais rápido ele volta ao centro. E há uma saída definitiva: “Você sai da lei do pêndulo quando você reconstrói suas virtudes.” Paciência, gentileza, a capacidade de se colocar no lugar do outro: são elas que equilibram o cotidiano.
Por fim, o ritmo é método. “Muito importante vocês encontrar um ritmo no trabalho interno de vocês. Faz hoje, faz amanhã, faz depois. Ritmo.” Com o ritmo vem a compensação, e os processos cármicos vão sendo compensados. No curso sobre o livro, ele vai mais longe e diz que “o universo começou pelo ritmo”: antes de existir luz, nos primeiros tempos, havia som, havia um coração universal batendo. “O verbo é anterior à luz.” Quem procura iluminação sem encontrar o próprio ritmo está procurando o segundo passo antes do primeiro.
VII
A sexta lei é a do gênero, e é a base do trabalho alquímico.
O gênero está em tudo.
Tudo tem seus princípios masculino e feminino.
O gênero se manifesta em todos os planos de criação.
Observe o masculino e o feminino por toda a natureza. E, pela lei da correspondência, isso também vai estar no Criador, na matéria e no espírito. “Isso significa que nos mundos superiores Deus também se divide masculino e feminino.” O gênero está nos planetas: “O planeta também tem o seu gênero. O sol também tem.” Está nas estrelas, nas galáxias. E ele acrescenta um detalhe que raramente se ouve: um homem é homem no plano físico, mulher no plano astral e homem de novo no plano mental; a mulher, o inverso. O gênero vai mudando de frequência a cada plano, “até chegar no 1, que não é nem masculino nem feminino, porque ele é a unidade, de onde tudo começou”.
Daí a resposta que ele dá a uma pergunta que sempre volta: por que, nesse caminho, precisa ser um homem e uma mulher? Porque a lei do gênero está em tudo, e portanto está aqui também. Se você ocupa um corpo masculino, precisa contar com um corpo feminino para que essa lei se processe dentro de você; e o contrário também. No curso ele é direto: “é necessário que o homem interaja com a mulher e a mulher interaja com o homem para que se produza a chamada Kundalini em nossa coluna”. A colaboração entre os gêneros é o que desperta os poderes que existem dentro de nós. “Sozinho não existe a ascensão.” Mais uma vez o senso de humor do universo: “faz os dois trabalhar juntos”.
Trazida para dentro, a lei vira um olhar sobre o próprio passado. Na sessão ele convida: aproveite a experiência e veja que você já foi masculino e já foi feminino em vidas passadas. Veja o que fez com o masculino que lhe foi oportunizado, e o que fez com o feminino. E invoque a misericórdia, e peça à Mãe Divina para ajudar a limpar o que não é adequado ao que você pensa e sente hoje. Depois vai mais fundo: veja o Criador. Observe o Pai como Alfa. Observe a Mãe como Ômega. E repita: eu sou Alfa e Ômega. O princípio e o fim.
VIII
A sétima lei é a de causa e efeito, e ela fecha o círculo.
Toda causa tem seu efeito.
Todo efeito tem sua causa.
Existem muitos planos de causalidade.
Mas nenhum escapa à lei.
Nenhum escapa. A lei regula tudo, todas as hierarquias, todas as dimensões. Cada pensamento, sentimento ou atitude, nessa existência ou em outra, nenhum deles escapa. E ele dá o motivo pelo qual esta lei é fácil de entender: “todos os registros são celulares”. Está tudo dentro do corpo, do DNA, dos corpos internos. Não dá para escapar do próprio corpo.
Aqui vem uma das frases mais importantes de todo o estudo, porque ela desmonta a moral com que crescemos. Nós temos leis internas que orientam, que mostram o que é adequado e o que não é. Quando seguimos a orientação da lei, vamos bem; quando não seguimos, vamos mal. “Não existe o bem e o mal. Existe o nosso comportamento diante da lei.” Não há um juiz do lado de fora distribuindo prêmios e castigos. Há uma lei, e há o que fazemos diante dela. “As leis são internas, então é dentro de você.” Ou, como ele resume em outra fala, “ou a gente compreende as leis e atua a favor das leis ou as leis atuam contra nós”.
No curso, ele explica para que serve aprender isso: viemos a este planeta fazer um curso, e esse curso, o de quem um dia vai criar cosmos, “necessariamente precisa aprender a lei de causa e efeito”. No mundo humano, a lei se traduz nos processos cármicos: ações boas geram dharma, ações prejudiciais geram karma, e o karma se processa até nas existências seguintes. Por isso a balança egípcia, com o coração de um lado e a pena do outro. Na sessão ele pede que a pessoa se coloque diante do mestre Anúbis, e explica só o necessário: “Anubis é um representante da lei.” Observe ali o seu karma e o seu dharma. Não faz diferença se foi na vida passada ou dez para trás. Está tudo aí dentro.
E a regra prática, que qualquer um pode aplicar amanhã cedo: “Se eu quero saber a reação, então basta calcular a ação. Antes de produzir uma ação, medite bem naquela ação e você vai saber a reação.” Você só está aplicando a lei. Ele fecha esta lei com a instrução mais bonita de todas as sessões: “Observe a lei em atuação, dentro de você. Sinta ela. Melhor que isso, faça as pazes com ela.”
IX
Depois das sete leis, lê-se a Tábua de Esmeralda. E ela não se repete: apenas se escuta.
É verdade, certo e muito verdadeiro.
O que está embaixo é como o que está em cima. O que está em cima é como o que está embaixo, para realizar os milagres de uma única coisa.
E assim como todas as coisas vieram do um, assim todas as coisas são únicas por adaptação.
O sol é o pai, a lua é a mãe, o vento o embalou em seu ventre. A terra é sua nutridora.
O pai de toda a telesma do mundo está nisto. Seu poder é pleno, se é convertido em terra.
Separarás a terra do fogo, o sutil do denso, suavemente e com grande perícia.
Sobe da terra para o céu e desce novamente à terra, e recolhe as forças das coisas superiores e inferiores.
Deste modo obterás a glória do mundo, e se afastarão de ti todas as trevas.
Nisso consiste o poderoso de todo poder. Vencerás todas as coisas sutis e penetrarás em tudo que é sólido.
Assim o mundo foi criado. Esta é a fonte das admiráveis adaptações aqui indicadas.
Por esta razão fui chamado de Hermes Trismegisto, pois possuo as três partes da filosofia universal.
O que eu disse da obra solar é completo.
Ele oferece algumas chaves. A obra é solar: a obra é do Pai, é do Sol. O Sol é o pai, a Lua é a mãe, a Terra é a nutridora. E por que a Lua é a mãe? Porque a Lua é a mãe da Terra. No livro ele escreve que “a terra com toda a sua vida em abundância é filha da Lua”, e avisa: “isso não é uma metáfora”. A telesma “é uma substância universal”, que recebeu muitos nomes, prana, quintessência, e que “é a energia da vida”: com ela se cria tudo o que existe, e é ela o Um de que todas as coisas vieram. E separar o sutil do denso é a ementa do curso inteiro: o denso se elimina, e o que fica no final é a glória do mundo. Que mundo? “Esse é o seu mundo interior, sempre da pele para dentro.”
X
Resta dizer o que se faz com tudo isso na segunda-feira.
Ele diz que cada lei hermética precisa estar viva dentro de nós, porque, quando aparece um empecilho no caminho, a pergunta a fazer é simples: o que me diz a lei hermética sobre isso? E então se toma uma decisão baseada em conhecimento, e não em impulso. Toda vez que se olha para dentro e se vê densidade, é porque alguma parte nossa ainda não compreendeu aquela lei. Ele é generoso com essa condição: “nós somos uma espécie de adolescentes espirituais”, contestando o que não entendemos. Mas o adolescente cresce, e o que cresce nele é justamente isto: a percepção de que a lei não é contra ele.
Nada aqui pede fé. Ele diz que a diferença entre crença e fé é que a crença aceita o que o outro disse, e a fé é o que se realiza dentro de si. As leis herméticas não foram escritas para serem acreditadas. Foram escritas para serem encontradas, uma a uma, dentro de quem lê. Se alguma delas parecer falsa, o convite é o mesmo de sempre: feche os olhos, procure, e refute. Se não conseguir, ela era verdade.
“O mestre ele pode até pavimentar uma estrada, mas é você que anda por cima da estrada.”
Em poucas palavras
Perguntas frequentes
Quais são as sete leis herméticas?
As sete leis herméticas são as leis do mentalismo, da correspondência, da vibração, da polaridade, do ritmo, do gênero e de causa e efeito. No livro Uma Mensagem Cósmica, elas abrem o capítulo sobre o poder. São leis cósmicas, que valem para o universo todo, e Hermes Trismegisto fez o papel de trazê-las ao mundo e explicá-las.
Fonte: Uma Mensagem Cósmica, capítulo 11; Sessão Instrutiva 21, As Leis Herméticas
Para que serve estudar as leis herméticas?
Estudar as leis herméticas serve para entender uma situação ruim: em algum lugar ali há uma lei sendo contrariada, porque o universo é todo organizado por leis. A lei não pune, ela simplesmente se cumpre, como no sinal vermelho que alguém decide atravessar. Com cada lei viva dentro de si, a pessoa diante de um empecilho toma uma decisão baseada em conhecimento, e não em impulso.
Fonte: Sessão Instrutiva 34, As Leis Herméticas; Sessão Instrutiva 21, As Leis Herméticas
O que significa a lei do mentalismo, o todo é mente?
A lei do mentalismo diz que o todo é mente e o universo é mental, e o mestre está falando de cada um de nós: é tudo dentro de você. Mente não é cérebro; o cérebro é um receptor, um gerador e um transformador do pensamento, mas não é a mente. A mente é uma dimensão do corpo de Deus, e cada cérebro humano capta fagulhas dessa mente cósmica divina, o que se traduz em pensamentos.
Fonte: Sessão Instrutiva 114, As Leis Herméticas em Campos do Jordão; Sessão Instrutiva 34, As Leis Herméticas; Uma Mensagem Cósmica, capítulo 20
O que dizem as leis herméticas da correspondência e da vibração?
A lei da correspondência diz que o que está em cima é como o que está embaixo e o que está dentro é como o que está fora; por isso, uma mudança real só é possível quando a gente muda dentro. A lei da vibração diz que nada está parado, tudo se move e tudo vibra, e onde tem vibração, tem vida. Cada um de nós tem uma vibração única, como uma impressão digital, e pode aumentá-la ou diminuí-la.
Fonte: Sessão Instrutiva 10, As Leis Herméticas; Sessão Instrutiva 114, As Leis Herméticas em Campos do Jordão; Sessão Instrutiva 34, As Leis Herméticas
O que ensina a lei hermética da polaridade?
A lei da polaridade ensina que tudo é duplo, tudo tem dois polos e seu oposto, e que todas as verdades são meias verdades. A gente vem para a dualidade para descobrir o que é a unidade, e aquele que permanece na luz o tempo todo não sabe que existe o contrário, não aprende nem avança. Essa lei tem prazo: tudo é duplo, até que você seja um.
Fonte: Sessão Instrutiva 34, As Leis Herméticas; Uma Mensagem Cósmica, capítulo 11
Qual a relação entre a lei do ritmo e o karma?
A lei do ritmo diz que tudo sobe e desce e que o ritmo é a compensação, e pode ser entendida como aquilo que outras culturas chamam de karma e dharma. Numa dificuldade financeira ou de saúde, pode haver uma compensação por termos agido de forma inadequada com alguma energia ou pessoa. Nós não somos vítimas: escolhemos a compensação, e a misericórdia pode abreviar o que se compensa com dor.
Fonte: Sessão Instrutiva 21, As Leis Herméticas; Sessão Instrutiva 114, As Leis Herméticas em Campos do Jordão
Por que a ascensão precisa de um homem e uma mulher pela lei do gênero?
Porque a lei do gênero diz que tudo tem seus princípios masculino e feminino, e por isso é necessário que o homem interaja com a mulher e a mulher com o homem para que se produza a Kundalini na coluna. A colaboração entre os gêneros é o que desperta os poderes que existem dentro de nós, e sozinho não existe a ascensão.
Fonte: Curso Uma Mensagem Cósmica, parte 4; Curso Uma Mensagem Cósmica, parte 6; Sessão Instrutiva 34, As Leis Herméticas
Existe bem e mal segundo Gilberto Franzoni?
Não: para ele, não existe o bem e o mal, existe o nosso comportamento diante da lei. Quando seguimos a orientação da lei, vamos bem; quando não seguimos, vamos mal. Pela lei de causa e efeito, basta calcular a ação para saber a reação, por isso vale meditar bem numa ação antes de produzi-la.
Fonte: Sessão Instrutiva 114, As Leis Herméticas em Campos do Jordão; Sessão Instrutiva 34, As Leis Herméticas
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