Artigo · a partir dos ensinamentos de Gilberto Franzoni
O Processo de Ascensão
Está na hora de ascender ao próximo reino. Se a resposta for sim, liguem suas fornalhas.Gilberto Franzoni
26 min de leitura
A palavra ascensão anda em todo lugar. Aparece em livro de autoajuda, em curso pago pela internet, em vídeo que promete iniciação à distância. Cada um usa como quer, e quase ninguém diz o que é.
Este artigo reúne o que Gilberto Franzoni ensina sobre isso há mais de vinte anos, no livro Uma Mensagem Cósmica, no curso sobre o livro, nas lives e nas sessões instrutivas. Não é resumo de um capítulo. É a tentativa de juntar num lugar só o que está espalhado em dezenas de horas de fala: o que é ascensão, quem ascende, o que se constrói, o que puxa para baixo, por onde se começa, quanto tempo leva, para que serve e por que vale a pena.
Ele mesmo abre o capítulo dedicado ao tema dizendo que a palavra está sendo comumente usada por diversos autores para descrever algo espiritual, transcendental, e que a intenção dele é outra: apresentar uma visão de ascensão que junte ciência, filosofia, mística e arte, e que ultrapasse certas limitações materialistas. É por aí que vamos.
I
Comecemos pela imagem que ele escolheu para abrir o assunto, porque ela corrige o primeiro erro antes que ele aconteça.
Quando vemos um raio num dia de chuva, a suposição espontânea é que ele cai do céu. Só que, filmado em alta velocidade e analisado com cuidado, o raio nem sempre cai. Ele também sobe. Pode ir de uma nuvem a outra. E o mais impressionante: a faísca pode sair da terra e da atmosfera ao mesmo tempo, e as duas se encontram mais ou menos no meio do caminho.
É assim que ele pede que se entenda a ascensão. A suposição espontânea é que ela é unidirecional: o humano se esforça até o limite das suas forças e sobe. Ele diz que isso é apenas parte da verdade. A dedicação humana é fundamental, não resta dúvida. Mas existe o outro raio, o que desce: a determinação do espírito, do ser que somos nas dimensões superiores. A vontade humana, a faísca que sai do chão, precisa ter correspondência com a vontade divina, a faísca que vem do céu.
“O humano se torna divino e simultaneamente o divino se torna humano. É uma via de mão dupla.”
Guarde essa via de mão dupla. Ela vai reaparecer no fim, no encontro dos dois raios, que tem nome.
II
A segunda pergunta é a que quase ninguém faz: quem, afinal, ascende?
A resposta dele é direta e muda o eixo de tudo o que vem depois. Não é a pessoa. Não é o Gilberto, não é o leitor, não é a personalidade que tem nome na certidão. Quem ascende é o ser que somos, e dentro dele quem realiza a ascensão é o que ele chama de Cristo íntimo, o Íntimo, o Horus egípcio: nomes diferentes para a mesma coisa.
“A ascensão é uma capacidade do Cristo.”
E o ser humano? O ser humano é o instrumento. Ele usa a imagem do martelo e da serra elétrica: a ferramenta na mão de quem não sabe usar machuca o dedo. Não é o instrumento que produz a ascensão. Quem produz a ascensão é o ser que nós somos, o Íntimo que está dentro de nós, com a nossa colaboração. É uma parceria. O Íntimo não consegue nada se o humano não colabora; o humano não consegue nada sozinho.
Disso decorrem duas consequências que ele repete em quase toda sessão. A primeira: o processo é sempre individual e sempre por vontade própria. Por mais que se ame alguém, por mais que se queira que essa pessoa entenda, se ela não quiser, nada acontece. E se ela for beber o chá sem querer, nada acontece também. A segunda: ascensão ocorre da pele para dentro. O Pai eterno, o Espírito Santo, o Cristo, a Mãe Divina, toda a hierarquia que as religiões colocam fora, ele diz que está dentro. O único templo que pode ascender é o de carne e osso, que vive, que chora, que sente.
E quando ele fala em subir, não é o corpo que sobe. O corpo é da terra, os átomos são da terra, e ficam aqui. O que ascende é o ser. Ele também esclarece o sentido da palavra: ascender é subir no sentido do eu sou, das capacidades interiores, e não no sentido do ego, que também diz “eu” o tempo todo.
III
Para entender o que estamos fazendo, ele conta uma história que começa muito antes de nós.
No capítulo do livro, a ascensão não começa no humano. Começa nos átomos. Átomos se associam em moléculas, moléculas formam o reino mineral. E aqui ele faz a pergunta que a ciência deixa em aberto: como estruturas simples deram o salto para formar a vida? Mesmo sabendo exatamente quantas e quais moléculas compõem um vírus, juntá-las todas não produz um vírus. Alguma coisa molda. Para ele, o que torna algo inanimado vivo é um princípio consciente, que organiza as moléculas e faz da estrutura criada o veículo da consciência que a moldou.
“O que está realmente vivo é a consciência, e ela pode moldar à vontade tanto a energia quanto a matéria.”
Ascensão, então, é o processo desenvolvido pela consciência para transformar os pequenos tijolos da matéria em estruturas cada vez mais complexas. A consciência, que ele também chama de criança-essência, passa incontáveis anos no reino mineral criando pedras, cristais, compostos, até produzir o cristal perfeito, o Cristo daquele reino, e se tornar mestre dele. Passa ao vegetal e faz o mesmo: cria e volta a criar até produzir o Cristo vegetal, o elemental intercessor. Depois o animal, dos pequenos seres marinhos aos grandes felinos, à águia, ao elefante, até o Cristo desse reino. E só então se torna humana.
Isso responde a uma pergunta que ele lança no meio do capítulo: por que Deus precisaria de nós, míseros mortais? O que temos de especial? A resposta é simples: nós humanos somos a estrutura material mais complexa criada pela consciência, na qual o espírito pode habitar e se manifestar. E a experiência da materialidade interessa ao espírito, porque quanto mais denso e complexo é o meio, mais intensos e vigorosos são os prazeres e as experiências da vida. Ele avisa, sem rodeio: não se engane, caro leitor, o prazer move o mundo.
Há um detalhe que vale sublinhar, porque ele volta a isso no curso: o corpo humano não é uma das formas possíveis por acaso. É o instrumento mais preciso que o ser tem para investigar a natureza. Quando bem afinado, permite perceber acontecimentos de bilhões de anos atrás e investigar toda a nossa história desde o momento em que éramos pura consciência saindo do seio do Absoluto. Está tudo registrado. A maioria, diz ele, deteriora o corpo antes que ele esteja apto a esse trabalho.
IV
Se a consciência já dominou três reinos, o que falta fazer no quarto?
A passagem do reino humano para o reino angélico é, de novo, um processo de ascensão, e exige o mesmo que os anteriores: a maestria do reino em questão. Em linguagem esotérica, a maestria do reino humano é o Cristo humano. Por isso ele insiste que a palavra Cristo não é o nome de uma pessoa, como ficou convencionado nos últimos dois mil anos, mas o nome do processo que a consciência faz no caminho de volta ao Absoluto.
Só que a conquista do reino humano, ele diz, é terrivelmente intensa. Porque nessa etapa a consciência precisa desenvolver algo que os reinos anteriores não pediam: a alma humana.
“Nós, humanos do planeta Terra, na imensa maioria temos apenas o embrião de alma. Raros são os que já conquistaram sua alma.”
Com o que se constrói uma alma? Ele responde com a mesma lógica dos átomos. No reino mineral a consciência tinha átomos para formar moléculas. No reino humano ela tem pedaços de alma, fragmentos, que ele chama de essências. E esses fragmentos estão num lugar preciso: dentro dos elementos densos que carregamos em nosso interior. Ou seja, o material da alma está preso justamente dentro do que chamamos ego, defeito, elemento denso.
A comparação que ele usa é a do diamante. Para formar um diamante, a consciência conduz o carbono para dentro de fornalhas planetárias: só sob altíssima pressão e temperatura a estrutura se forma. O mesmo vale para a alma. E ele afirma que dentro do corpo humano existe uma fornalha com totais condições de transformar os elementos densos da nossa psique em verdadeiros diamantes de virtudes. O corpo físico, junto com o vital, o emocional e o mental, quando desenvolvidos espiritualmente dentro dessa fornalha, se tornam cristalinos.
Aqui está a resposta para “o que se constrói”: a alma humana é uma construção da nossa consciência, e o corpo é o laboratório onde ela é gerada, gestada e aperfeiçoada. Quando a alma está construída e qualificada, o reino humano está conquistado, e a consciência ascende para outro reino.
Esse momento tem nome. É o casamento entre a alma humana e a alma divina: o encontro do raio ascendente, que representa o triunfo da consciência sobre os elementos básicos da natureza, com o raio descendente, que é o divino se fazendo presente no mundo. É aqui que a via de mão dupla se fecha. No curso ele localiza esse encontro com precisão: quem estuda um pouco de cabala vai ver que Tiphereth, a dimensão da alma, fica bem no meio dos dez sefirot. É ali que o raio que sobe e o raio que desce se encontram. E é por isso, diz ele, que só se chega ao Pai pelo Filho.
Uma consequência que ele extrai disso, na folha da sessão sobre a imortalidade, deve ficar registrada com as palavras dele: não resta dúvida que a imortalidade é para a alma. Realiza-se a imortalidade quando se conquista a alma. E numa sessão anterior ele diz por quê: o ego gosta do ter, carro, casa, roupa, status. O ser não tem amor nem tem paz. O ser é o amor, é a paz. As virtudes são eternas, e aí está a nossa imortalidade.
V
Se é assim, por que não subimos de uma vez? O que segura?
Na sessão instrutiva dedicada ao tema, ele começa avisando que aquela sessão daria uma ascensão, mas uma ascensão amostra grátis. Sobe-se, percebe-se que aquilo é real, palpável, e isso é a fé: apalpar, sentir, perceber. E depois, evidentemente, alguma coisa puxa para baixo. Essa coisa é o elemento denso. É por isso que ele se chama denso. O trabalho de uma vida inteira é eliminar os elementos densos: sobe, fica mais tempo lá, alguém puxa para baixo, percebe quem puxou, elimina, sobe de novo. Para subir precisa descer, e isso é natural. Acontece num minuto, numa hora, num dia, em dez anos. Os pequenos momentos de ascensão são de um minuto; os grandes, de dez, quinze, vinte anos.
Na live sobre o chá ele dá a imagem mais fácil de lembrar: um balão amarrado no chão. Enquanto não se cortam as cordas, o balão não sobe. Os nossos arquivos internos são como uma casa que só precisa de limpeza e organização, quarto por quarto. E ninguém cresce, evolui, entra num processo de ascensão cheio de parasita tirando energia. A técnica, ele diz, é muito clara: primeiro se cortam as amarras.
Mas nem todas as amarras são iguais. Na sessão das virtudes trabalha-se com os sete: orgulho, ira, cobiça, preguiça, inveja, luxúria, gula. Na sessão da ascensão trabalha-se com os três que ele chama de três traidores do Cristo, e não dá para escapar deles, porque eles são o filtro: o processo de ascensão, diz ele, é filtrado pelos três traidores do Cristo. O primeiro está no plano astral e é o Judas, o demônio do desejo. O segundo está no plano mental e é o Pilatos, o demônio da mente. O terceiro é o mais perigoso, o Caifás, o demônio da má vontade, que age no corpo causal, pega a nossa essência e a torce. Por que o terceiro é perigosíssimo? Porque os dois primeiros vêm de frente; o Caifás fica nos bastidores, arquiteta um plano contra o Cristo e contrata a população para gritar “crucifica”. Essa população está dentro de nós.
Sete mais três dá dez, e ele mostra onde isso está escrito em pedra: a Tábua de Narmer, um artefato de mais ou menos cinco mil anos, tem de um lado dez homens decapitados e de outro o faraó plenamente iluminado, com uma barca guiada pelo Horus na proa. Quando o corpo físico e os sete corpos estiverem sendo guiados pelo Íntimo, os dez são decapitados. Uma pedra só, frente e verso, com o processo inteiro.
Há também uma coisa que ele diz e que não está em nenhum livro, segundo ele mesmo: não é só o que é das trevas que impede de ascender. Ao chegar na dimensão dos anjos, os anjos recebem com festa e dizem “fica aqui com a gente”. Ao chegar na dos arcanjos, a mesma coisa. Para cada dimensão a que se quer subir, é preciso renunciar à inferior. É por isso, diz ele, que tanto os seres das trevas quanto os seres da luz impedem de ascensionar, cada um do seu jeito.
VI
Chegamos à parte prática. Ele mesmo pede uma “receitinha de bolo” na palestra do curso do SER: por onde começa?
Começa pelos três fatores da revolução da consciência, que ele chama também de regra básica da iniciação: morrer em si mesmo, nascer em si mesmo e o sacrifício pela humanidade. Na live sobre autorrealização ele resume o critério de quem está no caminho de um jeito que não precisa de tradução: estou morrendo em mim mesmo? Estou no caminho. Estou transmutando as minhas energias sexuais em vez de perdê-las? Estou no caminho. Estou informando o meu semelhante sobre esse caminho, de forma gratuita e desinteressada? Estou no caminho. Simples assim. O resto vem do seu próprio coração.
Cada fator tem conteúdo, e ele desdobra os três.
Morrer em si mesmo é a morte psicológica, a morte do elemento denso, e o instrumento é a Lei da Renúncia: renuncia-se ao ego. Mas se fosse preciso escolher o primeiro ego a renunciar, qual seria? Ele responde: a fornicação. E explica com a caixa d’água: de que adianta encher uma caixa furada? Toda a energia que se coloca vaza. Fornicar, no vocabulário dele, é perder energia, e sem energia não se nasce. O morrer também inclui olhar. Na regra de ouro que ele dá numa sessão: tudo o que vejo no outro é meu. A convivência é a sala dos espelhos, e o outro é o espelho. É por ali que se peneira e se minera o que precisa ser eliminado.
Nascer em si mesmo é uma questão sexual. Todo nascimento depende de uma substância, e a substância é a mesma que cria sistemas solares e galáxias: ele usa a palavra sêmen no sentido de energia básica da criação, tanto no homem quanto na mulher. Ele é enfático a ponto de repetir de várias formas: sem essa energia sexual não tem ascensão; a ascensão é uma condição sexual. Quem não compreendeu a própria energia sexual pode ter pequenas faíscas correndo pela coluna, vislumbres do que é uma ascensão, mas não a ascensão de fato. O símbolo disso é o caduceu de Mercúrio, com as duas serpentes subindo em volta da haste que é a coluna. Essa energia, transmutada, sobe pela coluna e é o que ele chama de Kundalini, ou, na percepção ocidental, o Espírito Santo: uma lanterna que ilumina o caminho e que alimenta os outros corpos, uma espécie de bateria solar que carregamos dentro. É também essa energia que forja a espada de fogo, porque os traidores, diz ele, só são decapitados com uma espada de fogo, e a espada de fogo é fruto da transmutação sexual. Para quem é solteiro, o trabalho é o pranayama. Para quem é casado, a alquimia sexual entre esposo e esposa. E ele lembra que isso não é novidade: era o grande segredo guardado nos primórdios da Maçonaria, e agora é público, porque é a época da abertura. Ele diz, sem meias palavras, que o processo da ascensão é um processo de parceria entre os gêneros, sempre foi e sempre será.
O sacrifício pela humanidade não é sofrimento. Ele decompõe a palavra: sacro ofício, o ofício do sagrado, que é ensinar ao semelhante. Cada um no seu nível e no seu dom: uma informação no trabalho, uma conversa com um amigo, um microfone, um livro, uma obra de arte. E há uma condição de ordem: primeiro se aprende a fazer os dois primeiros bem feito, depois se ensina. Todos os mestres que passaram pelo planeta, diz ele, fizeram o trabalho interno e depois o externo.
Repare que ele descreve o processo como exigente, e a exigência está justamente nesses três: morte de si mesmo, transmutação das energias sexuais e, depois, o trabalho pela humanidade. E ele avisa: se não há energia, ou se a energia sexual não é transmutada, a ascensão não se processa no aqui e agora.
VII
Além dos três fatores, existe uma caixa de ferramentas. Convém saber o que é ferramenta e o que é motor.
No livro ele revisa as tecnologias espirituais: a Lei da Renúncia, a Lei do Perdão, o resgate, a Chama Violeta, o ponto de aglutinação, a auto-observação, o verbo e os decretos, o jejum consciente, o exercício do sol e a caminhada na terra nua, o chá. Sobre o jejum, ele diz que é uma técnica extraordinária de limpeza vibracional e alinhamento dos corpos para o processo de ascensão. Sobre o sol, que o exercício foi um divisor de águas na experiência dele, que o Sol o resgatou, e que o processo de ascensão é 100% solar. Sobre o chá, que é uma dádiva da natureza para o autoconhecimento. Sobre a auto-observação, que é fundamental porque o elemento denso é telepático e dirige a cena como um diretor de cinema.
E há um alimento que quase ninguém conta: as impressões. No capítulo dos quatro alimentos ele afirma que impressões não digeridas são mil vezes mais danosas do que comida estragada, porque são o combustível principal do elemento denso. Se entregamos a nossa energia aos elementos densos, não sobra nada para gerar as virtudes. Daí a frase que resume o assunto inteiro: os termos ascender, iluminar-se, despertar a consciência correspondem essencialmente a aprender a transformar nossa própria energia interna.
Mas ele é muito claro sobre o limite de todas essas ferramentas. Numa sessão recente ele lista o jejum, a caminhada na terra e o chá como três instrumentos extremamente poderosos que auxiliam, mas não é automático. O chá é uma espécie de treinador, ou, como ele gostou de chamar, uma fisioterapia da alma: um dia o ser plenamente iluminado dentro do corpo não precisa mais dele. Quantas pessoas bebem o chá no Brasil e no mundo, e quantos mestres ascensionados existem? Se fosse automático, haveria um mestre em cada esquina. Não é a roupa que faz o monge. O ego é tão capaz que pode usar o próprio chá para formar grupo e se retroalimentar.
Dois avisos vêm junto, e ele os repete. O primeiro é sobre o corpo. Existe a ideia de que a ascensão é coisa da alma e o corpo não importa; ele chama isso de grande ilusão. Sem o corpo não dá para fazer o processo de ascensão. Seres muito evoluídos vêm nascer e pegar um corpo justamente para isso. O corpo precisa estar saudável, forte, bem alimentado com todos os tipos de alimento, para aguentar a alta voltagem do processo. Ele conta que ficou doze anos sem carne, perdeu a força de levantar o próprio corpo na barra, e voltou, porque entendeu que o animal que existe em nós não fica de fora: é integrado, é resgatado. O segundo aviso é sobre complicação. Algumas pessoas sentem uma necessidade absurda de complicar o processo. Deus não é complicado. Quanto mais perto da divindade, mais simples são as coisas: simplicidade com consciência, com conhecimento de causa, com seriedade em cada passo.
VIII
O processo tem graus, e ele os enumera com a mesma ordem em todos os lugares.
O primeiro grau da ascensão é o corpo físico. O segundo, o corpo vital. O terceiro, o corpo astral. O quarto, o corpo mental. O quinto, o corpo causal. São as cinco serpentes de fogo, uma por corpo, e é por isso que na sessão da ascensão o exercício passa corpo a corpo pedindo à Mãe Divina que elimine os três traidores e desperte a serpente de fogo de cada um. Quando se chega ao causal, reconquista-se a alma. Ele acrescenta um dado prático dessa etapa: ao chegar no causal, é preciso ter 51% dos egos eliminados. Essa é a meta deste final de era. Sempre foi 100%, diz ele; agora está em liquidação, porque o tempo foi encurtado, como diz o Apocalipse, para que nem os bons se percam num mundo tão contaminado.
A quinta iniciação é a da alma. Quem chega ali tem, dentro de si, o direito de ser chamado de Buda: aquele que reconquistou a alma e tem direito ao Nirvana. E o Nirvana é um estado de consciência em que se pode ficar por milhares de anos. Só que há uma escolha nesse ponto: renunciar ao próprio Nirvana para descer e ensinar o processo completo. O mestre autorrealizado de quinta iniciação escolhe onde, com quem e quando nasce.
Depois dela, o caminho continua pelas três montanhas: a primeira, do Filho; a segunda, do Espírito Santo; a terceira, do Pai. Em cada uma se aprende de novo a morrer em si mesmo. E o último grau, ele descreve na cruz: quando Jesus entrega o espírito nas mãos do Pai, está concluindo o processo: o homem Jesus se torna o seu próprio Pai eterno e o Pai se torna o homem. É a fusão da alma humana com a alma divina, o casamento das almas gêmeas, o último grau. Ele mesmo, na sessão recente do cetro, define o mestre sem pompa: o mestre é um ser em construção.
Há uma regra de hierarquia que ele faz questão de mostrar: para subir às três esferas superiores da cabala, Binah, Chokmah, Kether, foi preciso primeiro chegar à dimensão do Íntimo. Por isso Íntimo é igual a Cristo, e por isso só se chega ao Pai pelo Filho. Quando se reconhece essa potência dentro e se faz com que ela se desenvolva, o humano se torna o próprio Íntimo e o Íntimo se torna ele. A personalidade vai sendo desintegrada e fica apenas o que se é. O ego, com o seu cascão, não sobe: ele fica aqui e serve de treinador.
IX
Quanto tempo isso leva? A resposta dele não agrada a quem procura atalho.
No curso ele diz com todas as letras: a impressão é que se faz numa semana, mas é dez, quinze, vinte anos de trabalho, e de muita dedicação. Você acorda pensando nisso, almoça pensando nisso, vai trabalhar pensando nisso. O processo de ascensão, diz ele, é definitivo: você entrou nisso, você vai fazer isso, até alcançar a iniciação. Ele também coloca tudo de forma linear porque a mente entende melhor assim, mas avisa: é tudo ao mesmo tempo. Haverá fases em que a dedicação maior é ao astral, outras ao mental, outras ao demônio da má vontade; na experiência dele, quase um ano para cada um. E o processo recomeça em cada vida: é feito por etapas, e a cada nascimento se recapitula.
Por isso ele não tem paciência com o comércio de ascensões. Pessoas vendendo iniciações à distância, cobrando para “despertar Kundalini” com a mão nas costas: isso não é real. As iniciações internas são muito demoradas, e não se conquistam pela internet. Numa sessão ele diz que o processo de ascensão é extremamente sério, é a maior de todas as seriedades que vocês podem colocar na vida de vocês.
E há o outro lado do tempo, que é a razão de não adiar. Estamos, ele diz, nos últimos dias que o ser humano tem para produzir a sua realização aqui: é a época do Apocalipse, da abertura, da colheita cósmica em que os seres espirituais trabalham o seu material humano em todas as partes do planeta. Todos os mestres trabalham a favor de quem busca nessa janela de oportunidade. É pouco tempo para nós; para o planeta, um piscar de olhos. Ainda dá tempo. Mas não dá para deixar para amanhã.
X
Falta o que o título deste artigo promete: por que vale a pena?
Ele responde de vários ângulos, em anos diferentes, e vale juntar todos.
O primeiro é o mais simples, e está na live sobre o livro: existe algo mais, e esse algo mais vale a pena ser estudado. Nós temos mais possibilidades do que se vê comumente por aí, que é nascer, crescer, trabalhar muito, formar família, e daí parece que é só isso. Deve ter algo mais. Ele descreve a ilusão deste planeta exatamente assim: a gente nasce, cresce, casa, cria, envelhece e morre sem saber quem é, sem saber por que veio, sem saber da própria origem, sem nenhuma chance de ascensão. E o que tira disso é a revolução da consciência.
O segundo é uma conta de tempo, feita na live sobre o despertar. Quando o processo não é feito aqui, a natureza faz a limpeza do outro lado: a essência desce às dimensões inferiores, é limpa ali, e precisa de outros dez, doze mil anos para voltar à dimensão humana. Entre descer e subir, a conta dele dá uns 24, 25 mil anos. O processo de ascensão compensa muito, diz ele, porque essa limpeza demora poucos anos aqui e milhares lá. E o prêmio de quem entra é o próprio despertar: saber quem você é, e entrar em contato com a sua própria divindade.
O terceiro está no próprio capítulo da ascensão, e tem a ver com o instrumento. O humano que entra no processo afina o corpo, harmoniza as emoções, limpa a mente, e esse procedimento, feito com dedicação, humildade e amor, pode sintonizar o próprio criador. O ser humano consciente de si mesmo pode investigar seu passado remoto, pode perceber o todo que é. O encontro dos dois raios é o momento sublime do despertar da consciência, a luz pura penetrando no entendimento, a alma limpa e reluzente como o diamante.
O quarto é a imortalidade, entendida como ele entende: para a alma. As virtudes são eternas. Quem constrói a alma constrói o que não morre.
O quinto é uma questão de posição no planeta, e ele a coloca sem eufemismo no curso. Nós temos dois papéis aqui: somos alimento do planeta, como a maioria se comporta, só comida; ou somos estudantes que vieram tirar um curso, com um processo de ascensão bem elaborado, bem estruturado, consciente de si mesmo. Numa palestra ele completa: o curso do planeta é muito difícil, mas quem o conclui tem direito, depois, de criar o seu próprio universo. E numa live ele lembra que é possível uma transmutação tão acelerada que se traga a vibração do próprio Pai interno aqui, agora, numa única existência: isso que nós chamamos de processo de ascensão.
O sexto é o mais direto de todos, dito numa sessão antiga quando ele falava da própria personalidade sendo eliminada: não é fácil, é a única coisa que ele conhece para encarnar o Íntimo, senão o Íntimo não vem, e o que vale a pena é que ele venha e se manifeste aqui no corpo.
E há uma coisa que ele diz sobre quem se interessa por tudo isso, na live sobre o princípio da vida. Algumas pessoas não têm interesse, e ele não condena: a personalidade vai viver o mundo como ele está. Outras estão muito interessadas. Por quê? Porque se cansaram das outras coisas. Imagine o mundo inteiro, com todos os seus processos de ilusão, como um parque de diversões. Essas pessoas já brincaram o bastante.
XI
Termino com o que ele repete no final de quase toda sessão, porque é a parte que mais importa.
Isto não é obrigação. O processo de ascensão não é por pressão, não é uma obrigação. Nós somos convidados a fazer isso. Quem determina se pode ou não pode não é um deus que ninguém sabe onde está; é a escolha de cada um, e depende do que cada um faz com a própria energia. Ele conta que, ao subir até o guardião do Íntimo na sessão da ascensão, ouviu que está tudo bem ensinar isso, só que as pessoas precisam realizar dentro delas. Por isso as sessões se chamam instrutivas: o máximo que ele pode fazer é instruir. Nenhum mestre tem o direito de entrar e mexer em alguma coisa dentro de alguém. E o verdadeiro mestre é interno: às vezes se busca referência nele, e ele pode dar uma instrução, mas o mestre está dentro de quem busca.
Ele também tira a desculpa do contexto, no livro: por mais que a situação planetária não favoreça o processo, isso não serve como desculpa. Desde que existe civilização, sempre existiram pessoas tentando dominar outras. O crescimento espiritual, diz ele, é essencialmente um ato de rebeldia contra nós mesmos, não contra os outros. E na palestra do SER, a advertência que fecha tudo: ascensão sem prática, sem atitude, sem ação não existe. Ela é real, acontece aqui mesmo, na matéria, no dia a dia, nas relações, nas transmutações, nas renúncias e nos perdões.
O capítulo do livro termina com uma frase que é um convite e uma decisão ao mesmo tempo. Estamos nessa jornada há milhões, bilhões de anos, praticamente uma eternidade de experiências pelo universo. Cabe agora uma decisão muito particular e intransferível a cada consciência que habita o planeta.
Está na hora de ascender ao próximo reino?
Se a resposta for sim, liguem suas fornalhas.
E, como em tudo aqui, o pedido dele é o mesmo em cada sessão: não acredite em nada disto. Verifique dentro de si se encaixa. Se encaixar, virou verdade para você. Se não encaixar, ainda não é a hora, e isso também está certo.
Artigo escrito a partir dos ensinamentos de Gilberto Franzoni, compilado das transcrições do canal dele: o audiolivro e o curso de Uma Mensagem Cósmica, o curso do Sistema Energético de Resgate, as lives e as sessões instrutivas. Onde há aspas, as palavras são dele. A organização, as passagens de ligação e as explicações são deste artigo, feitas para dar entendimento ao tema, sem alterar o que ele ensina.
Em poucas palavras
Perguntas frequentes
O que é o processo de ascensão segundo Gilberto Franzoni?
É o processo desenvolvido pela consciência para transformar os pequenos tijolos da matéria em estruturas cada vez mais complexas, dos átomos aos reinos mineral, vegetal, animal e humano. Não é unidirecional: a vontade humana precisa ter correspondência com a vontade divina, numa via de mão dupla em que o humano se torna divino e o divino se torna humano.
Fonte: Uma Mensagem Cósmica, capítulo 17
Quem realmente ascende no processo de ascensão?
Quem ascende é o ser que somos, e quem realiza a ascensão é o Cristo íntimo, também chamado de Íntimo ou Horus. O ser humano é o instrumento: quem produz a ascensão é o Íntimo com a nossa colaboração, numa parceria em que nenhum dos dois consegue nada sozinho.
Fonte: Sistema Energético de Resgate, 6ª Parte; Live 20, Como Utilizar Ayahuasca para o Processo de Ascensão
Quais são os três fatores da revolução da consciência?
São morrer em si mesmo, nascer em si mesmo e o sacrifício pela humanidade, também chamados de regra básica da iniciação. Morrer é a morte psicológica do elemento denso, nascer depende da transmutação da energia sexual e o sacrifício é o sacro ofício de ensinar ao semelhante, depois de aprender a fazer bem os dois primeiros.
Fonte: Uma Mensagem Cósmica, capítulo 18; Live 06, Autorrealização; Sistema Energético de Resgate, 6ª Parte
Dá para ascender sem transmutar a energia sexual?
Não. Gilberto afirma que sem essa energia sexual não tem ascensão e que, sem energia ou sem transmutar a energia sexual, a ascensão não se processa no aqui e agora. Quem não compreendeu a própria energia sexual pode ter pequenas faíscas correndo pela coluna, vislumbres, mas não a ascensão de fato.
Fonte: Sessão Instrutiva 81, O Eremita; Sistema Energético de Resgate, 6ª Parte; Live 09, O Despertar da Consciência
O chá, o jejum e a caminhada na terra fazem a ascensão sozinhos?
Não. São instrumentos extremamente poderosos que auxiliam o processo de ascensão, mas não é automático: se fosse, haveria um mestre em cada esquina. O chá é uma espécie de treinador, uma fisioterapia da alma, e o ego pode até usá-lo para formar grupo e se retroalimentar.
Fonte: Sessão Instrutiva 121, O Cetro do Poder em AYASER Cambé PR; Live 20, Como Utilizar Ayahuasca para o Processo de Ascensão
Quanto tempo leva o processo de ascensão?
Leva dez, quinze, vinte anos de trabalho e de muita dedicação, embora a impressão seja de que se faz numa semana. O processo é feito por etapas e recomeça em cada vida, com fases de dedicação maior ao astral, ao mental e ao demônio da má vontade.
Fonte: Curso Uma Mensagem Cósmica, Parte 09; Sistema Energético de Resgate, 6ª Parte
Dá para comprar iniciação ou despertar a Kundalini à distância?
Não. Gilberto diz que vender iniciações à distância ou cobrar para despertar a Kundalini com a mão nas costas não é real. As iniciações internas são muito demoradas, não se conquistam pela internet, e o processo de ascensão é extremamente sério.
Fonte: Sessão Instrutiva 81, O Eremita; Sessão Instrutiva 88, A Imortalidade
O que impede uma pessoa de ascender?
O que puxa para baixo é o elemento denso, e o trabalho de uma vida inteira é eliminá-lo: sobe, alguém puxa para baixo, percebe quem puxou, elimina e sobe de novo. O processo é filtrado pelos três traidores do Cristo, e para cada dimensão a que se quer subir também é preciso renunciar à inferior.
Fonte: Sessão Instrutiva 45, Ascensão; Live 20, Como Utilizar Ayahuasca para o Processo de Ascensão
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