Artigo · a partir dos ensinamentos de Gilberto Franzoni
A Ira
É necessário encarar a ira frente a frente.Gilberto Franzoni
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A ira costuma ser tratada como um acidente de percurso. Um pavio curto, um dia ruim, uma reação que qualquer um teria no lugar. Às vezes ela é até elogiada, quando aparece com nome de firmeza ou de justiça. Quase ninguém a coloca na mesma prateleira da guerra.
Gilberto Franzoni coloca. Para ele a ira é um dos sete elementos densos, os sete pecados capitais, e é a aula desta raça, a lição que a humanidade atual veio aprender. Este artigo reúne o que ele ensina sobre ela no livro Uma Mensagem Cósmica, nas folhas do S.E.R., nas sessões instrutivas e nas lives: o que ela é, de onde vem, como chega, o que faz no corpo e o que se faz com ela.
I
Comecemos pelo tamanho da coisa, porque ele é maior do que parece.
No capítulo 14 do livro, ao falar dos três grandes treinadores desta civilização, ele diz o que a ira representa: “as questões ligadas à violência guerra ódio assassinatos brutalidade”. E no capítulo 12, ao descrever uma das faixas vibracionais das dimensões inferiores, diz que ali estão as pessoas que levaram o orgulho, a vaidade e a ira ao extremo, e que ali se encontram os autores dos genocídios.
E ela não vem sozinha. Na folha da sessão do Amor, texto escrito por ele, a virtude é apresentada assim:
“O Amor corresponde a Virtude que nasce em nós quando eliminamos a ira”
E a frase continua: a ira, a cólera, a raiva, o ódio e os demais elementos densos provenientes dessa vibração densa. A raiva, diz ele no curso, é uma parte da ira. E a ira é chefe de legião. Na Sessão 55 ele mostra o que isso significa na prática: não é uma raiva, são várias raivas, num emaranhado, e em volta de cada uma ficam outros elementos com o mesmo nome, protegendo aquela como se fosse um filhote.
Na folha 51 do S.E.R. ele lista os sete chefes de legião e diz que os colocou por ordem de densidade: luxúria, ira, orgulho, inveja, cobiça, preguiça e gula. Na Sessão 51 ele comenta a ordem: em termos hierárquicos a ira só perde para a luxúria, e ganha do orgulho.
Uma distinção antes de seguir. Ira e ódio andam juntos, e na Sessão 56 ele põe o ódio, a raiva e a ira como parceiros da violência, mas os estuda em sessões diferentes. Na Sessão 55 ele lembra que, na sessão de Vênus, o que se estudou como contrário do amor foi o ódio, e que nesta seria preciso compreender a ira. Nas sessões ele dá ao ódio outro nome, que este site tratou em Quem é Lilith. Aqui o assunto é a ira, e o ódio aparece onde ele o põe: entre os elementos que vêm dessa mesma vibração.
II
Agora a afirmação que mais contraria o senso comum.
Todo mundo sente raiva, e por isso parece natural. Na Sessão 120 ele diz que uma pessoa acha que é normal sentir raiva dos outros, e que isso é uma anormalidade: “não é normal sentir raiva do outro não, mas aqui nesse planeta todo mundo sente raiva”. Na mesma fala ele explica por quê: a raiva é um elemento denso, nós fomos contaminados por ela, e “a raiva utiliza a gente para gerar energia para ela”.
A ira, portanto, não é só um estado que a pessoa atravessa. Na Live 11 ele usa a palavra que resume o mecanismo: a raiva é um vampiro, e o vampiro não vive por si mesmo, vive da sua vítima. Na Live 07 ele descreve o trajeto: a raiva vive nas dimensões inferiores, e quando a pessoa sente raiva ela entra naquela sintonia e traz a raiva para o plano material.
No capítulo 3 do livro o mesmo mecanismo aparece em escala coletiva:
“Exemplo interessante é a egrégora da violência, que manipula os indivíduos humanos como se fossem marionetes, saboreando os frutos de suas ações e reações após atos violentos.”
E ele acrescenta, no mesmo trecho, que para os elementos densos que vivem nessa faixa vibracional os frutos da violência são tão inebriantes quanto um bom vinho é para nós. Na Live 13 ele conta que, observando essas entidades, viu que a energia da raiva é droga para elas, e que elas fazem a gente ficar com raiva, mais raiva e mais raiva, porque querem mais. E na Live 22: “Nós seres humanos somos criaturas viciadas em raiva”.
III
Por que justamente a ira, e por que justamente agora?
Na Live 11 ele fala de três grandes entidades que vieram para ensinar a humanidade: na época da Lemúria, a luxúria; na época da Atlântida, o orgulho; e agora, na raça ariana, que é a raça que estamos vivendo, a ira. No capítulo 14 ele explica o nome: a raça se chama ariana em referência vibracional a Ares, o deus da guerra entre os gregos, o Marte dos romanos, e de todas as raças que habitaram a superfície da Terra até agora, a nossa é de longe a mais belicosa e violenta.
Na Live 07 ele diz que a aula desta raça é a aula da raiva, do ódio e da ira, e pergunta o que precisamos aprender com a ira. A resposta é o amor, a paciência e a tolerância, e ele cita Jesus: os mansos herdarão a terra.
E de onde vem a matéria-prima? Em lugares diferentes, ele fala de duas origens. Uma está no corpo: na Sessão 112 ele diz que a raiva veio do mundo animal, e na Sessão 35, que o tronco animal trouxe para nós a agressividade e a batalha. Na Live 11 fala de uma programação embutida no DNA desde a pré-história, a que manda revidar e, de preferência, dar um soco.
A outra está na mente. No capítulo 14 ele fala de uma semente da discórdia implantada há milhões de anos em nossa mente, e diz o que ela é: a crença da separação entre o humano e o Divino. É essa ilusão, escreve ele, que cria o ambiente fértil para o medo, a violência, a dominação e o poder, as principais armas para subjugar o semelhante. E diz onde ela está: “o implante da discórdia está no corpo Mental”.
IV
Vejamos agora como ela chega, e aqui há uma surpresa.
Na Sessão 51 ele diz: “olha a ira uma coisa muito interessante da ira que ela não é irada”. Quando se interage com a ira, ela vem calminha, numa paz. E todas as vezes que a gente não consegue algo e se irrita, aquela coisa se alimenta disso. Na mesma fala ele diz que a ira é uma construção nossa, feita de uma quantidade enorme de elementos ligados à violência e ao domínio, e que ela está ligada à necessidade que a gente tem de dominar as coisas, de dominar o outro. O outro não obedece, porque quer a liberdade dele, e aí a gente “impõe nossa vontade pela força”.
Ela anda por três escalas, e ele as descreve na Sessão 56: a mental, que é o pensamento; a astral, que é o desejo e a emoção; e o corpo físico. No capítulo 21 do livro o percurso aparece num exemplo. O elemento começa a manifestar seu veneno na dimensão mental: se o fulano falar isso, eu falo aquilo. Depois passa para a dimensão astral, emocional: só de pensar em falar com o fulano já estou com raiva. Por fim chega a cena, na dimensão física. Na Sessão 21 ele diz que esse processo, do pensamento ao sentimento e à ação, é menos que um segundo, e é aí que a pessoa fala que ficou cego de raiva e foi lá dar um tapa no outro: aquele elemento veio e dominou a pessoa.
Há também a guerra que fica na cabeça. Na Sessão 55 ele descreve a guerra gigantesca que a mente produz: você fala uma coisa, simula a outra pessoa falando para você, responde para aquela pessoa. Parece loucura, diz ele, e é o elemento ira manipulando e tirando a sua energia. Na Live 12 completa: tem pessoas que não fazem guerra no mundo físico, mas fazem guerra na mente.
E quando chega ao corpo, ele usa uma imagem forte. Na Sessão 111 diz que a ira aparece, ou a raiva, e fala através do nosso corpo: entra, veste esse corpo e fala, e age, com os olhos vermelhos, querendo pegar no pescoço do outro.
Os gatilhos podem ser grandes ou mínimos. Na Sessão 56, lendo a frase de Jesus sobre os mansos, ele pergunta quem é manso aqui. Não basta nunca ter brigado com ninguém: quando a pessoa pisa para valer no seu calo, não dá vontade de pular no pescoço dela? E ele responde que dá, e que essa violência que existe dentro de nós é que precisa morrer. Na mesma sessão dá o exemplo mínimo: às vezes é uma colher que caiu no chão, alguma coisa insignificante, e vem um fervor dentro da pessoa que tira a consciência e tira energia.
Comparando os elementos na Live 22, ele observa que a inveja não vem pela frente, mas “a raiva sempre vem de frente”. E na Sessão 56 descreve o que o treino muda: primeiro a pessoa consegue se equilibrar no mundo físico, depois no emocional, e com o tempo pega o elemento ainda no pensamento, antes que chegue ao plano físico. Por isso, diz ele, “existem pessoas que são serenas porque ela já treinou bastante nessa vida ou em outras”. E chama isso de o caminho do alquimista, o caminho da transmutação: transmutar o pensamento, a emoção e a atitude.
V
E o corpo sente, porque o elemento não fica só na psique.
Numa das conexões da Sessão 126, a da dimensão de Marte, ele transmite o que chama de mensagem de Marte: “Cuidado com a raiva, cuidado com a ira, cuidado com o ódio. São extremamente tóxicos dentro de nós”. E a mensagem segue com o que cada um faz: a raiva chega a gerar hipertensão, o ódio, o ataque do coração, e a ira vai entupindo as veias e as artérias a ponto de deixar a pessoa cega, porque os microvasos começam a entupir. Na Live 01 ele usa a mesma explicação para a expressão “ficou cego de raiva”: a raiva enrijece as veias e artérias e prejudica os microvasos do fundo do olho.
O mesmo ensinamento aparece em outras sessões e lives, com os mesmos órgãos: coração, veias, artérias, pressão. Na 2ª parte do S.E.R. ele faz uma ressalva que vale guardar: isso não é uma regra geral, mas é uma característica de quem tem muita raiva.
Sobre o coração, ele explica o porquê. Na mesma 2ª parte do S.E.R. diz que na grande maioria das vezes a raiva tira energia do peito, do plexo cardíaco, e que a raiva, o ódio e a ira machucam o plexo cardíaco porque vão contra o nosso Cristo Íntimo. O plexo cardíaco é a sede do Cristo Íntimo, é onde ele mora, no ventrículo esquerdo. Toda vez que sentimos raiva ou ódio de alguém, estamos indo contra o nosso próprio Cristo pessoal. Sobre o ódio, na Sessão 52 a imagem é ainda mais concreta: “o ódio ele contamina o coração de forma que o coração vai ficar escuro criando umas pelotas pretas”.
O outro lugar é o fígado, que na Sessão 23 ele chama de assento vital do corpo astral. Na Sessão 98 ele conta a passagem da crucificação em que o soldado romano Longinus fura com a lança o costado direito de Jesus, próximo do fígado, e sai água e sangue. A água estava limpa e o sangue bem vermelho, e isso, numa leitura esotérica, significa que não há mais o elemento ira: ele foi eliminado. São, diz ele, os simbolismos que ela tem. E na Sessão 23 lê o mesmo sinal: a água e o sangue limpos querem dizer que o fígado não tem mais o elemento da raiva, do ódio.
E há o caminho lento, o da raiva que não explode. No capítulo 18 do livro ele descreve a pessoa que se retrai e sente uma raiva incontrolável. Ao guardar dentro de si esse sentimento obscuro, ele se transforma em ressentimento, que se transforma em mágoa, e por fim em ódio. Quem acompanhou o artigo sobre cobiça e inveja reconhece a sequência: é a mesma que a folha 61 descreve partindo da comparação. E no mesmo capítulo ele diz que a mágoa costuma afetar principalmente o pâncreas, o intestino e o fígado, e que o ódio afeta o coração.
VI
A ira também tem nome próprio, e é o nome que aparece na Conjuração.
Na Conjuração dos Sete, que este site tratou em A Conjuração, cada um dos sete chefes de legião é chamado por um nome. Nas folhas 97 e 107 do S.E.R. ele faz a lista: Lilith e Nahemah na frequência da luxúria, Bael na frequência da ira, e assim por diante. E na folha 107 esclarece o que essas entidades são:
“estas entidades não são pessoas, mas sim sintonias vibracionais”
Bael é, portanto, a frequência da ira. Na Sessão 110 ele conta que Bael é conhecido também como o minotauro: corpo de gente, cabeça de touro. E dá a leitura da imagem: ele deixou esse animal subir para a cabeça, e daí ficou muito raivoso, irado. Na Sessão 120, falando do mito de Teseu, ele diz quem é o minotauro para nós: “quem que é o Minotauro na nossa representação é o ego animal que tá dentro de nós”. E o ego animal, explica ele, é aquilo que a gente desceu na matéria: nós fomos ficando meio que animal.
Na Sessão 110, confirmando o que uma participante tinha percebido, ele diz de onde nasce a ira de Bael: ele se revoltou contra a energia da criação, e por isso se revolta contra o sexo. Na Sessão 56 ele fala de um Mago Negro muito antigo chamado Bael, com mais de dois bilhões de anos, que estava na agenda para ser eliminado. Depois disso, conta ele, a turma de Bael veio dizer que, como o chefe deles tinha morrido, agora o serviriam, e a resposta foi que quem quisesse segui-lo teria de passar por morte e ressurreição. Ninguém quis. E ele conclui: “Aqueles lá são pequenos baels”, o grande foi embora e não existe mais, mas os pequenininhos estão dentro das pessoas.
VII
A raça é de Ares, o deus da guerra, e ele mesmo o chama assim no livro. Mas na Sessão 56 ele mostra outra face.
O nome da Sessão 56 é Marte, O Deus da Força, e ele conta como chegou a esse nome. Caminhando descalço na terra, pediu a Gaia que falasse com o irmãozinho de Marte, porque havia alguma coisa errada no nome da sessão: não era guerra. Sentiu então uma presença intensa, que disse ser o Deus da força, e completou: “vocês fazem guerra Porque vocês querem”.
Mais adiante na mesma sessão ele diz que começou na vibração da guerra, mas que a coisa se transmutou imediatamente para a vibração da força, e formula a distinção: “força é poder mas não quer dizer que força e poder é guerra”. A folha 56 do S.E.R. abre com a frase “Força é sinônimo de Poder” e diz que existe um poder latente dentro de todos nós, e que esse poder é EU SOU: “EU SOU é a Força de toda Força!”.
Na mesma folha, conforme as orientações do Mestre Samael Aun Weor, ele escreve que Marte é o planeta que representa o grau iniciático das Potestades, que significa essencialmente poder ou força. E em seguida diz que, chegando ao quinto grau, Marte, o Mundo Átmico, essa sintonia nos conecta com o nosso Íntimo, com o nosso Cristo particular. E fecha a folha dizendo que a vibração de Marte, o Deus da Força, nos fortalece para enfrentar qualquer obstáculo que possa surgir em nosso processo de ascensão. É também dessa folha a frase que, segundo ele, está escrita na soleira da porta da Escola dos Deuses, no grau seguinte, o de Júpiter: “Aquele que busca o Poder precisa renunciá-lo”.
VIII
Vamos ao que se faz. E o primeiro passo não é eliminar, é ver.
No capítulo 21 do livro ele pede que se observe a frase “estou com raiva do fulano”. Ao estudar a frase, diz ele, pode-se determinar imediatamente o nome do elemento denso. E se formos nós que a proferimos, e estivermos acordados, despertos, prestando atenção em nossas palavras e atitudes, podemos nos autodescobrir portadores da raiva.
E ele pede que se olhe para dentro. No curso ele diz que, se o outro se apresenta na raiva, você vai precisar encontrar a raiva dentro de você. Na Sessão 111 faz a pergunta: “Quem dentro de vocês ficou ofendido com o xingamento do outro?”. E mostra a cadeia que vem por trás: a ofensa é um recurso do elemento orgulho, e com ela já entra a vítima, e com a vítima já vem a vingança. Sobre como o orgulho se disfarça, este site tem As duas faces do orgulho.
Ele pede o mesmo olhar em relação ao passado. Na Sessão 55, depois de falar de como a gente fica chateado com os políticos de hoje, ele devolve a pergunta: “Mas e nós? Será que a gente não foi um senador romano?”. E no capítulo 14 escreve a frase que serve de epígrafe a este artigo, “é necessário encarar a ira frente a frente”, e em seguida diz o que é encarar:
“faz-se necessário conhecer nosso interior belicoso, nossas batalhas monumentais, nossas guerras e toda a ordem de violência que já praticamos. Precisamos reconhecer em nossos pensamentos e sentimentos todo sangue derramado por nós ou por nossos atos ao longo de nossa jornada pelo planeta. Essa prática é terrivelmente dolorosa, porém urgentíssima.”
E o trecho continua com o que vem depois desse ato:
“A parte feminina do nosso ser, chamada gentilmente de Mãe Divina, esclarece que este ato de coragem e desprendimento quebra o ciclo de violência, rompe o implante da discórdia e nos resgata desse lamaçal psicológico. A chave para se alcançar esse nível de compreensão é o amor, a abertura do plexo do coração e a respectiva aceitação dos valores do Cristo íntimo.”
Encarar não é se condenar. Na Sessão 55 ele deixa isso explícito: “não julgue, nem critique, nem condena. Mas tome a decisão de limpar”.
E a compreensão tem consequência prática. Na Sessão 119 ele diz que a Lei da Renúncia não deixa de funcionar, mas “ela funciona proporcional o seu nível de compreensão”. E dá o exemplo: tal dia, tal hora, eu fiquei com raiva daquela pessoa; então eu sei como é que ela é, a raiva, porque eu observei. Eu sei o que ela significa, e sei de onde ela tirou energia: do plexo cardíaco, dos pensamentos, que ficaram todos embaralhados, ou da região sexual, de onde, diz ele, sempre vai tirar.
IX
Visto e compreendido, o elemento pode ser entregue. Mas não é a personalidade que o elimina.
No curso ele pergunta quem pode eliminar um defeito, e responde: a Mãe Divina. E explica quem ela é: “a mãe Divina é uma Instância superior do nosso próprio ser ela não está separado de nós”. Você compreendeu, entrega para ela. E adverte: não queira você eliminar o ódio, porque não vai funcionar, “uma personalidade não tem poder nenhum sobre um elemento”. O trabalho que ele ensina, diz, é um trabalho de entrega: observa, compreende, entrega.
O instrumento rápido é a Lei da Renúncia, e no capítulo 21 do livro ele a aplica justamente à raiva: renunciar à raiva em nome de Cristo, pelo poder de Cristo e pelo sangue de Cristo, três vezes. Na Live 21 ele a compara a um instrumento prático, que pode ser feito a qualquer momento: a pessoa que percebeu uma raiva no trabalho e quer fazer a extração imediata da luz que está dentro da raiva pode fazer a Lei da Renúncia ali mesmo, porque ela é bem rápida. E na Sessão 31 lembra o alcance: “Você fez a renúncia da raiva não é a raiva que você sentiu ontem é a raiva da sua existência”.
Na 2ª parte do S.E.R. ele acrescenta dois pontos. O primeiro é a energia: a própria Lei da Renúncia depende da energia da pessoa. Quem sente que a renúncia da raiva não fez um efeito tão bom quanto esperava está com a energia muito baixa, mas isso não quer dizer que ela não fez efeito: pode ter arrancado uma lasca daquele defeito. O segundo é o método completo: fazer a renúncia do defeito, invocar a Mãe Divina e usar pelo menos uns 15 minutos de chama violeta. Com a raiva como exemplo, ele fala em trabalhar o defeito por 21 dias, todas as noites, por 15 minutos, no mesmo horário, e diz que a mudança é tão grande que a pessoa se torna outra pessoa, e aquela raiva que ela tinha dentro dela vai se transformando em amor.
O livro traz ainda um exercício, no capítulo 5, O Caminho do Meio. Ele o indica para ser adaptado livremente, e o exemplifica a partir de uma situação de estresse ou raiva, em que pode surgir um ato de violência verbal ou até física. O elemento escolhido é a violência:
“Eu vejo violência em mim mesmo, eu reconheço violência dentro de mim, eu amo violência, pois sei que é uma filha minha, minha própria criação, fruto de minhas ações nesta e em outras existências. Eu sou o que eu sou e recebo essa violência que vejo, reconheço e amo para a transmutação, aqui e agora. Eu sou a plenitude da presença Divina que transmuta toda a violência dentro de mim em luz e faz resplandecer a compreensão, a paz, a alegria e o amor a toda a vida.”
E pede: “Utilize-o com os diversos elementos densos que encontrar em sua vida diária e verifique os resultados.” O próprio capítulo explica por que se ama o elemento. O exercício parte do princípio de que “não é rechaçando as nossas antigas raízes animais, supostamente truculentas, feias e muitas vezes desagradáveis, que alcançaremos a autorrealização íntima do ser, mas sim fazendo justamente o contrário: conhecendo-as tal como são.” Em seguida, põe o limite: “o reconhecimento da sua real natureza não significa que precisemos compactuar com suas ações”. E fecha:
“Amar tão intensamente os defeitos mais grosseiros que acumulamos em nossa história significa acolher e aceitar nosso interior mais profundo sem julgamentos, imposições ou rechaço, sem acusações, vítimas, culpados ou condenações.”
Quando há uma pessoa envolvida, entra outra lei. Na Live 19 ele separa as duas ferramentas: com uma pessoa de quem se tem raiva, rancor ou mágoa, usa-se a Lei do Perdão; com o elemento denso, a Lei da Renúncia. Na 3ª parte do S.E.R. ele observa que quem está com muita raiva do outro não vai sentir vontade de perdoar, e que por isso é preciso trabalhar a raiva. Na Sessão 56, lendo a frase dos mansos que herdarão a terra, ele diz que aquela seria essencialmente a sessão do perdão, “porque a única forma de eu não ser violento com o outro é se eu tiver o perdão instalado em mim”. Não importa o que o outro faça, já está perdoado. Na mesma sessão ele conduz uma técnica de reconciliação: visualiza-se a pessoa na tela mental, diz-se eu te liberto conscientemente, você não me deve nada, eu não te devo nada, e então, num abraço também visualizado, te amo, te perdoo, sinto muito, sou grato, percebendo o karma se desmanchar.
Falta a condição que sustenta tudo, e ele não a omite. Na Live 17 ele diz que uma pessoa violenta deixa de ser violenta, uma pessoa odiosa deixa de ser odiosa, e que um defeito eliminado não pode mais voltar, desde que a pessoa não fornique, porque “a fornicação é a mãe de todos os defeitos”. No curso a mesma ideia aparece pelo outro lado: como a luxúria criou todos os outros, é a luxúria transmutada, a alquimia sexual, que vai eliminar todos eles, e a ira vai ser colocada no fogo junto com o orgulho, a inveja e a cobiça. O trabalho com a energia sexual está no artigo sobre o despertar da kundalini.
E, mesmo assim, não é um trabalho que termina num dia. No fim da Live 22 ele diz que é preciso trabalhar o elemento várias e várias vezes, cada vez mais fundo, e que a virtude vem com a eliminação dele: “é claro que tem o grau de porcentagem você vai descascando um elemento e a virtude vai crescendo também”.
X
Resta dizer o que ocupa o lugar.
Na Live 16: “A virtude tá dentro do defeito, então se eu quero, por exemplo, despertar o amor, basicamente eu preciso eliminar o ódio.” E na Sessão 110, falando da morte e ressurreição: “se a gente entrega, por exemplo, a ira, a raiva, a violência, nasce o amor.”
Mas que amor é esse? A folha 55 começa com um texto do livro que muda a escala da palavra:
“O Amor não é apenas um sentimento, uma emoção.”
Ele escreve que as vibrações do Amor produzem sintonia com a dimensão das causas, com a razão de Ser das coisas, com a origem de todas as coisas animadas e inanimadas, e que a vibração do Amor tem sua origem em algo que, por falta de outro nome, ele chama de A Fonte. Por Amor os átomos se atraem formando moléculas, e a vibração do Amor está nos sistemas solares, mantendo as órbitas dos planetas. O Sol brilha por Amor. E mais adiante: “Amor não é apenas sentimento, emoção, é, também, ciência, conhecimento de causa, vibração, energia primária.”
Na mesma folha ele ensina que o Amor pode ser fabricado: “Amor pode ser fabricado, pode ser produzido quando se une ALFA e ÔMEGA”. Alfa é o masculino, o homem; Ômega, o feminino, a mulher. Quando os dois se unem sexualmente num processo alquímico, transmutando suas energias, acontece a Suprassexualidade, ou seja, o Amor é gerado pelo casal, e um homem e uma mulher unidos legalmente pelo casamento podem, com todo direito, ser criadores de Amor. É a alquimia sexual que, no curso, ele diz que vai eliminar todos os elementos, a ira entre eles.
E é na Sessão 110 que ele liga as duas pontas. A ira nasce de ir contra o amor, contra a chama rosa da chama trina, e por isso faz oposição ao amor. E ele conclui: “quando a gente ensina alquimia, então nós estamos ensinando o amor”, e necessariamente é o amor que vai eliminar a ira. Há ainda um cuidado, que ele dá na Sessão 55: o amor é uma vibração, mas não é nosso para termos posse, “amor é uma virtude de Deus”.
A ira nasce de ir contra o amor.
E é o amor que a elimina.
O pedido dele, no capítulo 5, é o de usar o exercício e verificar os resultados. Da próxima vez que a raiva vier de frente, vale fazer a pergunta da Sessão 111 antes de responder a quem a provocou: quem, dentro de mim, ficou ofendido?
Artigo escrito a partir dos ensinamentos de Gilberto Franzoni, compilado dos capítulos 3, 5, 12, 14, 18 e 21 de Uma Mensagem Cósmica, das folhas 51, 55, 56, 97 e 107 do S.E.R., das partes do S.E.R. e do curso, da folha 61, das sessões instrutivas das Leis Herméticas, da Alquimia Interior, do Altruísmo, de Vênus, do Amor, de Marte, da Inspiração, da Morte e Ressurreição, da Auto-observação, do Perdão, Renúncia e Revogação, do Resgate e do Sistema Solar de Ors, e das lives sobre a morte, o ego, as técnicas de resgate, a autocura, o Antigo Egito, as mulheres filhas de Gaia, a morte e ressurreição e as sete virtudes. Onde há aspas, as palavras são dele. A organização, as passagens de ligação e as explicações são deste artigo, feitas para dar entendimento ao tema, sem alterar o que ele ensina.
Em poucas palavras
Perguntas frequentes
O que é a ira, segundo Gilberto Franzoni?
Um dos sete elementos densos, os sete pecados capitais, listado em segundo na ordem de densidade, depois da luxúria. No livro Uma Mensagem Cósmica ele diz que a ira representa as questões ligadas à violência, guerra, ódio, assassinatos e brutalidade. Na folha do Amor ele põe a cólera, a raiva e o ódio entre os elementos densos provenientes dessa mesma vibração.
Fonte: Uma Mensagem Cósmica, capítulo 14; Folhas 51 e 55 do S.E.R.
Sentir raiva é normal?
Não, no ensinamento dele. Na Sessão Instrutiva 120 ele diz que não é normal sentir raiva do outro, mas que aqui neste planeta todo mundo sente raiva. A raiva é um elemento denso, nós fomos contaminados por ela, e ela utiliza a gente para gerar energia para ela.
Fonte: Sessão Instrutiva 120, Resgate em São Roque SP
Por que a ira é tão forte na humanidade de hoje?
Ele fala de três grandes entidades que vieram ensinar a humanidade: a luxúria na época da Lemúria, o orgulho na Atlântida e a ira na raça atual, a ariana, nome que remete a Ares, o deus da guerra entre os gregos. A lição, diz ele, é aprender o amor, a paciência e a tolerância.
Fonte: Uma Mensagem Cósmica, capítulo 14; Live 07; Live 11
O que a raiva faz no corpo?
Nas sessões ele liga a raiva à pressão alta e ao enrijecimento de veias e artérias, e o ódio ao coração, com a ressalva de que não é uma regra geral. A raiva, o ódio e a ira machucam o plexo cardíaco, sede do Cristo Íntimo. Guardada, a raiva vira ressentimento, depois mágoa e por fim ódio.
Fonte: Sessões Instrutivas 52 e 126; S.E.R., 2ª parte; Uma Mensagem Cósmica, capítulo 18
Quem é Bael?
É o nome da frequência da ira na Conjuração dos Sete. Na folha 107 do S.E.R. ele esclarece que essas entidades não são pessoas, e sim sintonias vibracionais. Na Sessão 110 ele diz que Bael é conhecido também como o minotauro, corpo de gente e cabeça de touro: deixou o animal subir para a cabeça.
Fonte: Folhas 97 e 107 do S.E.R.; Sessão Instrutiva 110
Marte é o planeta da guerra?
No livro ele chama Ares, o Marte dos romanos, de deus da guerra. Na Sessão 56 ele conta que começou na vibração da guerra, mas que ela se transmutou na vibração da força, e que força é poder, mas força e poder não são guerra. Na folha 56 do S.E.R., seguindo Samael Aun Weor, Marte representa o grau iniciático das Potestades, que significa essencialmente poder ou força.
Fonte: Folha 56 do S.E.R.; Sessão Instrutiva 56, Marte O Deus da Força
Como se elimina a ira?
Observando e compreendendo o episódio concreto em que ela agiu, e entregando o elemento à Mãe Divina, instância superior do nosso próprio ser, porque a personalidade não tem poder sobre ele. O instrumento rápido é a Lei da Renúncia. Com a pessoa envolvida, entra a Lei do Perdão. E o defeito eliminado só não volta se a pessoa não fornicar.
Fonte: Uma Mensagem Cósmica, capítulo 21; Curso, partes 01 e 03; Sessão Instrutiva 119; Live 17; Live 19
Qual a virtude oposta à ira?
O Amor. Na folha 55 do S.E.R. ele escreve que o Amor é a virtude que nasce em nós quando eliminamos a ira, a cólera, a raiva e o ódio. Na Live 16 ele resume: a virtude está dentro do defeito.
Fonte: Folha 55 do S.E.R.; Live 16; Sessão Instrutiva 110
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